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Quantos dias dura sua caixa-d’água?

A crise hídrica que atinge o Sudeste do Brasil chega a sua fase mais dramática, com a possibilidade de adoção de rodízios no abastecimento de água. Em São Paulo, o governo estuda opções de rodízio. Diante disso, a grande preocupação da população é saber quanta água as casas e os edifícios são capazes de armazenar.

Segundo as normas técnicas, caixas-d’água de prédios e casas devem ser capazes de armazenar água para 24 horas de consumo. “Nas casas, esse mínimo nem sempre é seguido. Nos prédios, a caixa costuma suportar até dois dias”, diz o especialista em Direito Ambiental Alessandro Azzoni. A conta é fácil de fazer: basta saber quantos litros tem o reservatório e considerar um consumo diário de 200 litros de água por morador. O problema é o resultado.

O professor Cláudio Latorraca, que mora em um prédio em São Paulo, diz que se surpreendeu ao perguntar para o síndico a capacidade de armazenamento de água em seu prédio. “Ele me falou que temos cinco caixas com capacidade de 200 mil litros cada, o suficiente para aguentar até oito dias sem a água da rua”, diz. Poucos são tão felizes. A maioria dos edifícios não aguenta mais que dois dias sem o abastecimento regular. Rafael Bernardo é síndico de um condomínio com quatro blocos na Zona Oeste de São Paulo e diz que, mesmo com 32 caixas-d’água no edifício, só é capaz de suportar 48 horas sem o fornecimento. Sua esperança é um poço artesiano. “Só esperamos a autorização do órgão regulador para fazê-lo funcionar.”

Em algumas casas, os moradores de São Paulo já se dizem em situação desesperadora. A gerente comercial Tita Barbará sofre há quase um ano com o esquema do rodízio em sua residência alugada, na região da Vila Madalena. Por caprichos de engenharia, sua caixa-d’água só alimenta uma torneira. O resto vem direto da rede. “Todos os dias, temos de tomar banho, encher o filtro e lavar roupa no período da manhã, porque sabemos que no resto do dia só contaremos com uma torneira e alguns baldes”, diz Tita. Caso a medida mais drástica seja implantada, Tita imagina que o cenário poderá ser catastrófico. “A caixa-d’água não vai aguentar, e terei de investir na compra de galões para suprir as necessidades básicas da minha família”, diz. A crise se transformou em oportunidade para a Fortlev, a maior produtora de caixas-d’água do Brasil. “Em São Paulo, comparando o segundo semestre de 2013 e o segundo semestre de 2014, nós tivemos um aumento de mais de 50% das nossas vendas”, diz Evandro Sant’Anna, diretor comercial e de marketing da empresa.

Fonte: epoca.globo.com

1 Comentário

  1. É sempre um orgulho poder compartilhar nossas experiências com vocês.

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